Campeã mundial com a Seleção Brasileira em 2013, a pernambucana Deborah Hannah estará na Caravana Pronahand CAIXA, em Palmas (TO), para compartilhar experiências e conhecimentos com atletas e treinadores. Formada no Clube Português do Recife por Cristiano Rocha, hoje técnico da Seleção Brasileira feminina, a atleta olímpica quer mostrar aos participantes como o handebol pode abrir caminhos e transformar vidas.
Nesta entrevista, Deborah fala sobre a importância da saúde mental na construção da confiança, os cuidados com o corpo e os aprendizados que pretende levar às atividades da Caravana. Depois de atuar nas quadras até a temporada passada, ela também conta como está vivendo a transição para a nutrição, profissão na qual deseja continuar ligada ao esporte, agora cuidando de outros atletas.
1. Deborah, o que te motivou a participar da Caravana Pronahand CAIXA em Palmas e como será sua atuação nas atividades com atletas e treinadores?
A CBHb me fez o convite há pouco mais de um mês e, assim que o projeto me foi apresentado, me encantei! Eu gosto muito de participar de projetos que promovem o esporte como um todo, mas especialmente o handebol, com o intuito de transformar vidas. Chego para contribuir e viver essa imersão também, porque entendo que é uma troca enriquecedora.
2. Você foi formada no Clube Português, em Pernambuco, e chegou ao título mundial. Quando olha para o seu início, que oportunidade fez diferença na sua vida e que gostaria de ajudar a oferecer aos jovens de Palmas?
Eu sempre aproveitei todas as oportunidades que o esporte me proporcionou, porque entendia que era uma forma de viver e realizar meus sonhos. Não consigo dizer qual oportunidade fez diferença! Todas foram importantes para eu chegar aonde cheguei no esporte.
3. Em 2013, você marcou o gol que colocou o Brasil à frente nos minutos finais da decisão contra a Sérvia. Que história dos bastidores daquele momento você gostaria de contar na Caravana para mostrar aos jovens como se constrói a confiança para assumir uma responsabilidade tão grande?
Tem bastante história importante dos bastidores, mas acho que o essencial para construir confiança e colocá-la em prática na quadra é trabalhar a saúde mental voltada ao esporte. Eu defendo muito isso, porque acho que, muitas vezes, a nossa mente é a nossa maior rival.
Com certeza, vou dividir na Caravana alguns momentos que vivi no campeonato, para que tanto os atletas como os técnicos entendam como faz diferença trabalhar a confiança na tomada de decisão do atleta.
4. Nas oficinas de quadra, qual aprendizado da sua experiência como central você quer compartilhar para que os participantes consigam aplicar nos próprios treinos depois que a Caravana terminar?
O handebol está cada dia mais rápido! Mas acho que a chave para ter sucesso dentro de quadra é tomar a melhor decisão em menos tempo. Então, acho que ter uma boa leitura de jogo ajuda muito, sendo central ou em qualquer outra posição.
5. Sua trajetória também teve lesões e longos períodos de recuperação. O que essa experiência te ensinou sobre o cuidado com o atleta e que orientação você considera essencial transmitir aos treinadores que trabalham com jovens?
Sim, passei por seis cirurgias no joelho e sempre cuidei muito do corpo e da mente. Mas estamos sujeitos a isso. Afinal de contas, escolhi um esporte com muitas mudanças de direção e desgastes físicos e mentais. Nosso corpo é nosso instrumento de trabalho, portanto, temos que cuidar dele com muita atenção para, quem sabe, tentar minimizar todos esses impactos que vão nos deixar longe das quadras.
6. Para uma menina que gosta de handebol, mas ainda não consegue imaginar um futuro no esporte, o que pode mudar ao encontrar e treinar com uma campeã mundial? O que você gostaria que ela descobrisse nesse contato?
Eu gostaria que todo mundo soubesse que é possível. Comecei com oito anos, na escola, como a maioria começa! Todos nós temos oportunidades e temos que acreditar que é possível e trabalhar para realizar nossos sonhos.
7. A Caravana também busca formar profissionais que continuem compartilhando o conhecimento nas suas comunidades. Pela sua experiência no Brasil e no exterior, que prática poderia ser incorporada às escolas e aos projetos de Palmas mesmo com poucos recursos?
Acho que a Confederação faz isso com maestria, pelo pouco que vejo do minihandebol! Apresenta o esporte às crianças que, no futuro, servirão à nossa Seleção e representarão nosso país.
8. Como está sua relação com o handebol hoje: quais são seus planos como atleta e que espaço a preparação para uma carreira além das competições já ocupa na sua vida?
Estive nas quadras como atleta até a temporada passada, mas, neste ano, resolvi fazer a transição para a profissão que tanto amo, com foco no que vivi a vida inteira. Sou nutricionista, com pós-graduação em nutrição clínica, e estou cursando nutrição esportiva. Atendo em consultório, mas meu objetivo é trabalhar exclusivamente com atletas, porque passei a vida inteira nessa atmosfera. É do que gosto e é o que sei fazer.
9. Quando você pensa nessa transição, o que mais pesa na escolha do próximo caminho? Trabalhar com formação e compartilhar sua experiência, como fará na Caravana, é uma possibilidade que deseja desenvolver profissionalmente?
Eu gosto de tudo que o esporte proporciona! Participo de alguns eventos sempre que me convidam, porque gosto muito da troca e da imersão cultural que temos a oportunidade de viver no handebol.
Eu me programei para parar de jogar e viver da profissão que escolhi, mas é óbvio que o esporte está dentro de mim. Sinto-me muito realizada sempre que atendo um atleta e vejo a transformação da alimentação e a melhora na performance dele. É o que fiz a vida inteira, só que, antes, cuidavam de mim; agora, sou eu que cuido dos atletas.
10. Quando a Caravana deixar Palmas, o que você gostaria que permanecesse na rotina dos participantes? Que resultado faria você sentir que sua presença ajudou a abrir um caminho para alguém?
Eu vou gostar muito de saber que a minha história serviu de combustível para que outras pessoas, pequenos atletas, realizem seus sonhos no esporte. Espero sair de lá tendo conseguido deixar uma semente de esperança no coração das crianças e a convicção de que o esporte promove saúde, realiza sonhos e muda vidas!